Resenha de Hobsbawm, Eric; Como mudar o mundo: Marx e o marxismo 1840-2011 (How to change the world: Marx and Marxism 1840-2011), 2011: Little Brown, 470 pp.


Por Terry Eagleton, do London Review of Books


Em 1976, muita gente no ocidente pensava que o marxismo era ideia a favor da qual se podia facilmente argumentar. Em 1986, a maioria das mesmas pessoas já não pensavam como antes. O que aconteceu nesse entretempo? Estarão todos aqueles marxistas enterrados sob uma pilha de filhos engatinhantes? Todo o marxismo terá sido desmascarado, com seus vícios expostos por novas pesquisas revolucionárias fortes? Terá alguém tropeçado em manuscrito perdido, no qual Marx confessou que era tudo mentira, piadinha?

Estamos falando, atenção, sobre 1986, poucos anos antes do colapso do bloco soviético. Como Eric Hobsbawm (foto) lembra nessa coleção de ensaios, não foi o colapso do bloco soviético que levou tantos crentes tão fiéis a mandar para a lixeira os cartazes de Guevara. O marxismo já estava em pandarecos desde alguns anos antes de o muro de Berlim vir abaixo. Uma das razões da debacle foi que o tradicional agente das revoluções marxistas, a classe trabalhadora, havia sido varrida do mundo por mudanças do sistema capitalista – ou, pelo menos, já não era maioria significativa. É verdade que o proletariado industrial encolheu muito, mas Marx jamais disse que a classe trabalhadora fosse composta só de proletários da indústria.

Em Das Kapital, os trabalhadores do comércio aparecem no mesmo nível que os trabalhadores da indústria. Marx também sabia muito bem que o maior, e muito maior, grupo de trabalhadores assalariados de seu tempo não eram os trabalhadores da indústria, mas os empregados domésticos, a maioria dos quais eram mulheres. Marx e seus discípulos jamais supuseram que alguma classe trabalhadora pudesse avançar sozinha, sem construir alianças com outros grupos oprimidos. E, embora o proletariado industrial devesse ter papel de liderança, nada permite supor que Marx supusesse que tivesse de ser maioria, para desempenhar seu papel.

Mas, sim, algo aconteceu, sim, entre 1976 e 1986. Acossada por uma crise de lucros, a produção de massa à moda antiga deu lugar a produção em menor escala, mais versátil, descentralizada e pós-industrial, a uma cultura ‘pós-industrial’ de consumo, de tecnologia da informação e da indústria de serviços. A terceirização e a globalização viraram a nova ordem do dia. Mas isso não implicou mudança essencial no sistema; só levou a geração de 1968 a trocar Gramsci e Marcuse por Said e Spivak. Ao contrário, o sistema estava então mais poderoso que nunca, com a riqueza ainda mais concentrada em poucas mãos e as desigualdades de classe crescendo rápidas. Foi isso, ironicamente, que fez disparar as esquerdas em busca da saída mais próxima.As ideias radicais degradadas, oferecidas como mudança radical, pareciam cada vez mais implausíveis.


A única figura pública que denunciou o capitalismo nos últimos 25 anos, diz Hobsbawm, foi o Papa João Paulo II.


Duas ou três décadas depois, os covardes e fracos de coração assistiram à glória de um sistema tão exultante e impregnável, que só precisava cuidar de manter abertas as caixas de autoatendimento dos bancos em todas as ruas e esquinas.

Eric Hobsbawm, que nasceu no ano da Revolução Bolchevique, permanece amplamente comprometido com o campo marxista – fato que se deve destacar, porque é fácil ler seu livro sem se aperceber desse compromisso. Isso, pela consistência do saber do autor, não porque salte de galho em galho. O autor conviveu com tantas das turbulências históricas sobre as quais discorre, que é fácil fantasiar que a própria história falaria nessas páginas – efeito da sabedoria enxuta, que tudo vê, desapaixonada. Difícil pensar em outro crítico do marxismo, assim tão competente para refletir sobre as próprias crenças com tanta honestidade e equilíbrio.

Hobsbawm, é claro, não tem a onisciência do Espírito Absoluto hegeliano, apesar do saber cosmopolita e enciclopédico. Como muitos historiadores, não é muito afiado no campo das ideias e erra ao sugerir que os discípulos de Louis Althusser trataram O Capital de Marx como se fosse, basicamente, trabalho de epistemologia. Nem o Espírito de Hegel trataria o feminismo, sequer o feminismo marxista, com tão gélida indiferença, ou dedicaria só rápidas notas laterais a uma das mais férteis correntes do marxismo moderno – o trotskismo. Hobsbawm também pensa que Gramsci seja o mais original pensador que o ocidente produziu desde 1917. Talvez queira dizer o mais original pensador marxista, mas nem isso está absolutamente claro. Walter Benjamin, com certeza, seria candidato mais bem qualificado para esse trono.

Mas fato é que até os mais eruditos estudiosos de marxismo têm muito a aprender nesses ensaios. É parte, por exemplo, do fundo de comércio do materialismo histórico que Marx esgrimiu com decisão contra os vários socialistas utópicos que o cercavam. (Um deles acreditava que, no mundo ideal, o mar viraria limonada. Marx, sem dúvida, preferiria Riesling.) Hobsbawm, ao contrário, insiste em que Marx teria dívida substancial com esses pensadores, que iam “dos penetrantemente visionários, até os psiquicamente perturbados”. Fala claramente do caráter fragmentário dos escritos políticos de Marx, e insiste, acertadamente, em que a palavra “ditadura”, na expressão “ditadura do proletariado”, que Marx usou para descrever a Comuna de Paris, tem significado absolutamente diferente do que hoje se conhece. A revolução deveria ser vista não simplesmente como repentina transferência do poder, mas como prelúdio de longo, complexo, imprevisível período de transição. Dos últimos anos da década dos 1850 em diante, Marx já não considerava nem iminente nem provável qualquer repentina tomada do poder. Por mais que tenha elogiado entusiasticamente a Comuna de Paris, Marx pouco esperava dela. Nem a ideia de revolução seria simploriamente oposta à ideia de reforma, da qual Marx foi defensor persistente.

Como Hobsbawm poderia ter acrescentado, houve revoluções praticamente sem derramamento de sangue, e alguns espetacularmente sanguinolentos processos de reforma social.

No absorvente ensaio sobre A Situação da Classe Trabalhadora na Inglaterra de Engels, o livro é apresentado como o primeiro estudo de todos os tempos sobre como lidar com toda a classe trabalhadora, não só com específicos setores das indústrias. Na opinião de Hobsbawm, a análise que ali se fez do impacto social do capitalismo ainda não foi superada, em vários aspectos. O livro não pinta seu objeto com cores suaves: a ideia de que todos os trabalhadores fossem famintos ou vivessem em miséria absoluta, ou que jamais ultrapassariam a linha da sobrevivência, não tem qualquer fundamento. Tampouco tem fundamento a burguesia que lá se vê, apresentada como bando de vilões de coração de pedra. Como tantas vezes acontece, cada um só vê o que já conhece: Engels, ele próprio, era filho de uma rico industrial alemão proprietário de uma fábrica de tecidos em Salford, e usava seus mal-havidos lucros para ajudar a alimentar, vestir e dar teto à família Marx — essa, sim, sempre à beira da miséria. Engels gostava de caçar raposas; herói de dois mundos, do proletariado e dos colonizadores irlandeses, sabia unir teoria e prática e amou apaixonadamente sua amante irlandesa da classe operária.


Marx antevia como inevitável a vitória do socialismo? Sim, como se lê no Manifesto Comunista, que Hobsbawm não concorda que seja documento determinista. Isso, em parte, porque Hobsbawm não discute o tipo de inevitabilidade que estaria em questão. Marx escreve às vezes como se as tendências históricas fossem forças da natureza e operassem como as leis naturais; mas, ainda assim, nada explica por que, depois do capitalismo, viria o socialismo, como resultado lógico.



Se o socialismo é historicamente predeterminado, por que tanto empenho na luta política? A explicação está em que Marx esperava que o capitalismo se tornasse cada vez mais explorador; e que a classe trabalhadora cresceria muito, em poder, em números e em experiência acumulada. Nesse quadro, os homens e mulheres trabalhadores, satisfatoriamente racionais, rapidamente encontrariam todos os motivos necessários para levantar-se contra seus opressores. Mais ou menos como, para os cristãos, o livre arbítrio que rege as ações humanas é parte de um plano preordenado por Deus, assim também, para Marx, o acirramento das contradições do capitalismo forçaria os homens e mulheres a, livremente, decidirem dar cabo dele. A ação humana consciente traria a revolução. O paradoxo está em que a ação livre consciente é, em certo sentido, predeterminada como em escrituras.

A verdade é que não se pode falar sobre o que homens e mulheres livres seriam obrigados a fazer em dadas circunstâncias, porque, se são obrigados a fazer, seja o que for, não são livres. É possível que o capitalismo esteja nas últimas, à beira da ruína, mas nada assegura que, depois dele, venha algum socialismo. Pode vir algum fascismo, ou a barbárie.

Hobsbawm nos lembra uma frase curta mas muito significativa do Manifesto Comunista pela qual, universalmente, todos os especialistas sempre passam apressados: o capitalismo, escreve Marx sinistramente, pode terminar “na ruína comum das classes concorrentes”. Não se deve descartar a possibilidade de que o único socialismo que talvez venhamos a conhecer seja o que nos for imposto por circunstâncias materiais, depois de uma catástrofe nuclear ou ecológica.

Como outros crentes do progresso infinito no século 19, Marx não considera a possibilidade de o engenho humano avançar tanto no campo da tecnologia, que acabe por se autodetonar. Aí está uma das várias vias pelas quais se pode demonstrar que o socialismo não é historicamente inevitável, como, de fato, nada é. Marx não viveu o suficiente para ver como a democracia social consegue subornar qualquer paixão revolucionária.

Poucos trabalhos mereceram tantos elogios das classes médias, com tanto embaraçoso fervor, quanto O Manifesto Comunista. Do ponto de vista de Marx, as classes médias foram, de longe, a força mais revolucionária na história humana, e sem seu empenho na luta pelos próprios objetivos e a riqueza espiritual que acumularam, o socialismo fracassaria. Esse, desnecessário dizer, foi dos mais agudos e certeiros prognósticos de Marx.

O socialismo no século 20 tornou-se mais necessário precisamente onde era menos possível: em regiões atrasadas do mundo, socialmente devastadas, politicamente obscurantistas, economicamente estagnadas, onde nenhum pensador marxista apareceu antes que Stalin sequer sonhasse em ali deitar raízes. Ou, pelo menos, tentar deitar raízes com o socorro massivo de nações azeitadas. Nessas condições terríveis, o projeto socialista está destinado a converter-se em monstruosa paródia dele mesmo.

Assim também, a ideia de que o marxismo leva inevitavelmente a essas monstruosidades, como Hobsbawm observa, “é tão racional e justificável quanto a tese de que o cristianismo levará necessariamente ao absolutismo papal; ou que todo o darwinismo levará à glorificação do livre mercado”. (Hobsbawm não considera a possibilidade de o darwinismo levar ao absolutismo papal – que bem se aplica, como descrição racional, a Richard Dawkins.)

Hobsbawm, contudo, lembra também que Marx foi, de fato, generoso demais com a burguesia, vício do qual não é muito frequentemente acusado. No momento em que surgiu o Manifesto Comunista, os sucessos econômicos eram muito mais modestos do que Marx imaginava. Numa curiosa arquitetura de tempos, o Manifesto descreveu, não o mundo que o capitalismo havia criado em 1848, mas o mundo que haveria depois de transformado, como era seu destino, pelo capitalismo. O que Marx tinha a dizer não era exatamente verdade, mas viria a ser verdade, digamos, à altura do ano 2000, resultado da transformação operada pelo capitalismo.

Até os comentários sobre a abolição da família foram proféticos: mais da metade das crianças nos países ocidentais avançados nascem hoje, ou são criadas, por mães solteiras; e metade de todas as moradias nas grandes cidades são ocupadas por um só morador.

O ensaio de Hobsbawm sobre o Manifesto comenta “a eloquência obscura, lacônica” e nota que, como retórica política “tem força quase bíblica”. “O novo leitor”, escreve ele, “dificilmente deixará de ser fascinado pela convicção apaixonada, pela brevidade concentrada, pela força intelectual e estilística desse extraordinário panfleto.” O Manifesto inaugurou um novo gênero, um tipo de declaração política do qual se serviram artistas como os Futuristas e os Surrealistas, cuja redação e vocabulário audaciosos e as hipérboles de escândalo fizeram, dos próprios manifestos, obras de arte.

O gênero literário “manifesto” é uma mistura de teoria e retórica, de fato e ficção, programático e performativo, que ainda não foi tomado seriamente como objeto de estudo.

Marx, ele próprio, também foi artista. Pouco se fala sobre o quanto era extraordinariamente estudado e culto e o quanto investiu, de aplicado trabalho, no estilo literário de seus escritos. Ansiava por livrar-se do “lixo econômico” de Das Kapital, para poder dedicar-se integralmente ao seu grande livro sobre Balzac.


O marxismo trata de lazer, não de trabalho. É projeto que deve ser apoiado por todos que detestam ter de trabalhar. O marxismo afirma que as mais preciosas atividades são feitas “porque sim e deixe-me em paz”, e que a arte é, nesse sentido, o paradigma da autêntica atividade humana. O marxismo diz também que os recursos materiais que tornariam possível a sociedade onde seria possível essa vida humana já existem em princípio, mas são geridos de tal modo que a maioria é obrigada a trabalhar tão duro quanto trabalhavam nossos ancestrais no Neolítico. Fizemos, pois, extraordinários progressos e, ao mesmo tempo, progresso nenhum.


Nos anos 1840, argumenta Hobsbawm, não era de modo algum improvável concluir que a sociedade estivesse às portas da revolução. Improvável, isso sim, seria a ideia de que, em meia dúzia de décadas a política da Europa capitalista estaria transformada pela ascensão de partidos e movimentos das classes trabalhadoras. Pois foi o que aconteceu.

E foi nesse momento que a discussão sobre Marx, pelo menos na Grã-Bretanha, passou, de admiração cheia de cautelas, a, praticamente, histeria.

Em 1885, Balfour – e ninguém menos revolucionário que Balfour – comentou os escritos de Marx, elogiando a força intelectual e o brilho do raciocínio econômico. Muitos comentaristas liberais e conservadores levaram realmente muito a sério aquelas ideias econômicas. Quando as mesmas ideias assumiram a forma de força política, porém, começaram a aparecer os primeiros trabalhos ferozmente antimarxistas. A apoteose foi a espantosíssima revelação, por Hugh Trevor-Roper, de que Marx não trazia qualquer contribuição original à história das ideias.

A maioria desses críticos, aposto, teriam rejeitado a ideia marxista de que o pensamento humano é muitas vezes modelado, curvado, pela pressão de interesses políticos, fenômeno que atende quase sempre pelo nome de “ideologia”.

Só recentemente o marxismo voltou à agenda planetária, ali metido, ironicamente, por um capitalismo agonizante. “Capitalismo em Convulsão” – em manchete do Financial Times em Londres, em 2008. Quando os capitalistas começam a falar sobre o capitalismo, aposte: o sistema está em estado crítico. Nos EUA, nenhum jornal (e nenhum capitalista), até agora, se atreveu tanto.

Há muito mais a admirar em How to Change the World. Numa passagem sugestiva sobre William Morris, o livro mostra que era lógico que brotasse em Londres uma crítica baseada nas artes e nos artesanatos, do capitalismo; em Londres, onde o capitalismo industrial avançado impunha ameaça mortal a todas as artes e artesanatos. Um capítulo sobre os anos 1930 traz fascinante relato das relações entre o marxismo e a ciência – e foi o único período, Hobsbawm anota, em que os cientistas naturais deixaram-se atrair em números significativos, pelo marxismo. Aparecia no horizonte a ameaça de um fascismo irracionalista; e os traços “iluministas” do credo marxista – a fé na razão, na ciência, no progresso humano e no planejamento social – atraíram homens como Joseph Needham e J.D. Bernal.

Durante o renascimento histórico seguinte do marxismo, nos anos 1960 e 1970, essa versão do materialismo histórico seria deslocada pelos parâmetros mais culturais e filosóficos do chamado Marxismo Ocidental. De fato, a ciência, a razão, o progresso e o planejamento já eram então mais inimigos que aliados, em guerra contra novos cultos libertários, do desejo e da espontaneidade. Hobsbawm mostra, no máximo, uma simpatia ilustrada pelo pessoal de 1968, o que não surpreende, em membro eterno do Partido Comunista. A idealização, naqueles anos, da Revolução Cultural na China, ele sugere, com bastante razão, teria tanto a ver com a China quanto o culto do “bon sauvage”, no século 18, teria a ver com o Tahiti.

“Se algum pensador deixou marca que ainda se vê no século 20”, diz Hobsbawm, “foi Marx”. Setenta anos depois da morte de Marx, para o bem ou para o mal, um terço da humanidade vivia sob regimes políticos inspirados por seu pensamento. Bem mais de 20% continuam a viver. O socialismo foi descrito como o maior movimento de reforma da história da humanidade. Poucos intelectuais mudaram o mundo, de modo tão objetivo e prático. É coisa que se diz, mais, de estadistas, cientistas e generais, não de filósofos ou teóricos da política. Freud pode ter mudado a vida de muita gente, mas não se sabe que tenha mudado governos.

“Os únicos pensadores individualmente identificáveis que alcançaram status comparável” – escreve Hobsbawm – “são os fundadores das grandes religiões do passado; e, com a única possível exceção de Maomé, nenhum deles triunfou nem tão rapidamente, nem em escala comparável”. Mas poucos, como Hobsbawm destaca, previram que seriam tão célebres também pela miséria extrema ou pelo exílio de judeu atormentado por furúnculos, homem que observou um dia, falando de si próprio, que ninguém jamais escrevera tanto sobre dinheiro, nem vivera com menos dinheiro, que ele.

Vários dos ensaios reunidos nesse livro já foram publicado, mas dois terços deles eram inéditos em inglês. Os que não leiam italiano podem, agora, ler vários importantes ensaios de Hobsbawm editados primeiro naquela língua, entre os quais três importantes revisões da história do marxismo, de 1880 a 1983. Bastariam esses ensaios, para tornar valiosíssimo o novo volume, mas há mais, sobre o socialismo pré-Marx, Marx sobre as formações pré-capitalistas, Gramsci, Marx e o trabalhismo, que ampliam consideravelmente o âmbito da nova seleção.


How to Change the World é o trabalho de um homem que chegou a idade em que a maioria de nós dar-se-á por feliz se conseguir sair sozinho do fundo da poltrona, sem precisar de duas enfermeiras e um guindaste, mestre também da pesquisa histórica. Não será, com absoluta certeza, o último trabalho desse espírito indomável


Tradução: Coletivo VilaVudu

www.outraspalavras.com/

Lifestyl
Dipendenza dal sesso, è davvero una malattia?


Gli scienziati ritengono che possa essere una malattia mentale, ma c’è chi afferma che il sesso è un istinto naturale e, per tanto, non possa essere considerato una malattia


01.03.2011Foto: ©photoxpress.com/Slyadnyev Oleksandr



Gli scandali sessuali sono ormai all’ordine del giorno: riempiono le copertine delle riviste di gossip e, ultimamente, anche i palinsesti dei telegiornali.
Ma il sessuomane, o comunque chi è fortemente attratto dal sesso, è malato? Questa la domanda che si sono posti gli psichiatri d’oltreoceano.

Dopo aver attentamente vagliato tutte le possibilità, l’American Psychiatric Association sta pensando seriamente di aggiungere la dipendenza dal sesso nel loro Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders.
L’idea non ha mancato di scatenare polemiche poiché si sono sentiti oggetto di sospetta malattia mentale in molti, dato che la definizione di malattia o dipendenza non è del tutto chiara. Gli psichiatri, infatti, non specificano se il problema sia collegato al troppo sesso o al troppo poco… e se in una sana relazione di coppia in cui il sesso è praticato spesso debba essere considerato alla stregua di una malattia.

Secondo l’APA, la definizione di dipendenza sessuale comprende pensieri e comportamenti che sono perlopiù concentrati sul sesso: la ricerca costante di rapporti sessuali, la masturbazione… tanto che questi interferiscono con il normale svolgimento delle faccende quotidiane come il lavoro. Un po’ come dire che è meglio lavorare che fare sesso (Sic!).
E poi, chi non ricorda i tempi del liceo o dell’università? A quel tempo cosa si aveva in mente per la maggior parte del tempo? Tutti malati, insomma.

Il problema sorge quando qualcuno viene indirizzato in quelli che gli americani chiamano i rehab, quelle specie di cliniche in cui ci si rifugia per disintossicarsi. Se ci si va per liberarsi dalla droga, dal fumo o dall’alcol, be’, in questo caso l’astinenza che viene proposta è del tutto legittima. Ma quando si tratta di sesso, astenersi, se tanto ci dà tanto…

«Quasi tutti i programmi di trattamento [delle dipendenze] degli Stati Uniti dicono al paziente di astenersi, senza considerare ciò che il cliente è motivato a fare», spiega l’ex direttore dell’APA, dottor Thomas Horvath, il quale ammette che non esiste un modo semplice per insegnare ai dipendenti dal sesso come avere sane relazioni romantiche.
Certo, è chiaro che quando si sconfina nell’ossessione e, soprattutto, quando questa possa essere di danno agli altri qualche cosa da fare c’è. Tuttavia il sesso è una di quelle piacevoli attività che fanno girare il mondo e, a parte qualche rara eccezione, è difficile trovare qualcuno che non ne sia interessato. Come già detto: tutti malati, insomma.
[lm&sdp]

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REPORTAJE: MITOLOGÍAS

Wittgenstein: decid a los amigos
que he sido feliz

Manuel Vicent 01/03/2011
Foto - Ludwig Wittgenstein, fotografiado por Norman Malcom en 1939 en Cambridge (imagen del libro Ludwig Wittgenstein, de Ray Monk).-


El pensador ejerció la filosofía del lenguaje como un profeta evangélico y su vida estuvo marcada por las tragedias familiares y las dos grandes guerras del siglo XX. Murió satisfecho tras disfrutar de "una vida maravillosa"

Una tragedia no es que se muera tu abuela a los 85 años en una mecedora, sino soportar dos guerras mundiales en tu propia casa y que durante la paz se suiciden a tu alrededor varios hermanos y a uno de ellos, pianista de gran fama, tuvieran que cortarle un brazo. Karl Wittgenstein, judío vienés converso, rey del hierro y del acero, heredero de una dinastía de grandes financieros del imperio austrohúngaro, tuvo con su mujer Leopoldine ocho vástagos, cada uno más tronado: Kurt, Helene, Rudi, Hermine, Hans, Gretl, Paul y Ludwig. Fue una familia marcada por la locura y el dinero en una época en que la dulzura de los violines del Danubio comenzó a ser sustituida por los timbales de Wagner y estos terminaron siendo los cañonazos, que reducirían a escombros el pastel de dioses, atlantes y ninfas de mármol del fastuoso palacio de los Wittgenstein en Viena donde en tiempo de esplendor se daban cita Sigmund Freud, los músicos Brahms, Strauss y Mahler, el pintor Klimt, el poeta Rilke, el escritor Robert Musil y otros seres divinos atraídos por la mano dadivosa del mecenas.

Entre los ocho hermanos Wittgenstein, solo dos sobrevolaron las convulsiones de su inmensa fortuna. A Paul lo salvó el piano, pese a ser manco, y a Ludwig la filosofía del lenguaje, que ejerció como un profeta evangélico. Los seis vástagos restantes desbarrancaron en disputas y cuchilladas domésticas, bodas de conveniencia, pactos dementes, sanatorios psiquiátricos, quiebras y suicidios, hasta que el destino los disolvió en el basurero de la historia, no sin antes obligarles a entregar gran parte de sus empresas, como chantaje, a los nazis, quienes al final dieron por bueno que esta familia de conversos tenía un antepasado que fue un príncipe ario en el siglo XVIII y así se libró del campo de exterminio.

El 1 de diciembre de 1913, a los 26 años, Paul debutó como concertista de piano en el Grosser Musikverein, en cuya Sala de Oro estrenaron sus obras Brahms, Bruckner y Mahler. Desde allí se trasmiten los valses y las polcas de Año Nuevo. El auditorio tiene 1.654 butacas. La familia compró todo el aforo para llenarlo solo con los amigos dispuestos a aplaudir a toda costa. Pero Paul tenía talento. De hecho, cuando en la Gran Guerra un mortero se le llevó por delante el brazo derecho, Maurice Ravel le compuso el famoso Concierto para la mano izquierda. Y con una sola mano siguió Paul interpretando con éxito piezas propias y las que el preceptor ciego Josef Labor componía para él exclusivamente.

Pero de aquella saga de reyes de la siderurgia austriaca fue Ludwig, el último de los hermanos, el que salvó el apellido Wittgenstein y lo hizo célebre al elevarlo a la cumbre de la filosofía hermética. Había nacido en Viena en abril de 1889. Hasta los 14 años fue educado en su palacio con preceptores y desde este espacio insonorizado pasó a un centro de Linz donde tuvo a Hitler como compañero de pupitre. En 1908 su padre lo mandó a Manchester a estudiar aeronáutica y allí diseñó un ingenio de propulsión a chorro para la aviación. A través de la ingeniería se adentró en las matemáticas hasta desembocar en la filosofía y esta pasión le llevó a conocer a Bertrand Russell en Cambridge. Ambos quedaron mutuamente imantados. Russell lo adoptó como discípulo y le animó a escribir filosofía y después de asombrar a todos con el primero de sus aforismos: El mundo no es todas las cosas, sino todos los hechos, a Wittgenstein le dio un brote de misantropía, se fue a Noruega y se estableció en una cabaña para pensar en soledad.

De aquella nota surgió su famosa obra Tractatus Logico- Philosophicus, un libro de 70 páginas, de apenas veinte mil palabras, que revolucionó el pensamiento analítico del lenguaje. Lo escribió entre cañonazos en las trincheras de Italia durante la Gran Guerra en la que se había alistado como voluntario y logró salvarlo mediante cartas que mandaba a Russell desde Monte Casino donde permaneció como prisionero. Era un texto críptico. Para unos positivista lógico, para otros ético, para otros místico. En plena guerra Ludwig había comprado en una librería de Tarnow, un pueblo a 40 kilómetros de Cracovia, el único libro que había en los estantes. Era el Evangelio Abreviado de Tolstói. Le causó tanta impresión que lo llevó siempre consigo durante la contienda y en el cautiverio, hasta el punto que estructuró su Tractatus en seis partes, exactamente igual, como Tolstói, en forma de pensamientos, de cuya enigmática complejidad le sobrevino la fama.

Terminada la guerra a Ludwig Wittgenstein le dio otro brote de misantropía y donó toda su fortuna a dos de sus hermanas y en 1920 se convirtió en maestro de escuela en pequeños pueblos de Austria. Su rigor le trajo problemas con los padres de algunos alumnos a los que azotaba de forma inmisericorde si erraban en matemáticas. Para eludir la justicia escolar, en 1926, abandonó la docencia y trabajó de jardinero en un monasterio, pero aburrido de podar rosales, en vez de suicidarse como era tradición en su familia, volvió a Cambridge donde su Tractatus era estudiado como un devocionario y allí desembarcó en medio del grupo de Bloomsbury, una dorada pandilla de evanescentes esnobs que se movían entre el cinismo intelectual, el escarceo con el partido comunista, la ambigua sexualidad y el placer del espionaje soviético.

Pese a ser tímido, tenso y tartamudo, según la descripción de su amigo homosexual John Niemeyer, a los cuarenta años Ludwig parecía un joven de veinte, con una belleza propia de los dioses, rasgo siempre importante en Cambridge, con los ojos azules y el pelo rubio, como un Apolo que hubiera saltado de su propia estatua. Lo rodeaba una especie de santidad filosófica, un aura misteriosa que expandía también cuando comenzó a dar lecciones de lógica en la universidad. Un grupo reducido de fervorosos alumnos le seguía como a un profeta y no les preocupaba no entenderle, les bastaba con estar cerca y asistir al espectáculo de su pensamiento. Daba las lecciones de lógica en su propia habitación sin usar texto ni notas; se limitaba a pensar en medio de un silencio meditativo que interrumpía para interrogar a sus discípulos. Cuando las clases le agotaban se iba al cine a ver películas del Oeste en primera fila o leía novelas de detectives y cuentos de hadas.

Le tenían como a un Jesucristo revolucionario porque había comenzado a estudiar ruso y programaba para sí mismo irse a vivir a la Unión Soviética con su amante Francis Skinner, 23 años menor que él. En 1935 visitaron juntos Moscú con idea de establecerse allí. Pero desistieron de ello debido a la dictadura estalinista. Los alumnos de los cursos 1933-1934 y 1934-1935 hicieron circular los apuntes tomados en clase y que después de su muerte verían la luz con los nombres de El Cuaderno Azul y El Cuaderno Marrón.

Con la anexión de Austria por Alemania renunció a su nacionalidad y adquirió la británica. Pero la rutina formal académica le hastiaba. Renunció a su cátedra y en 1947 abandonó Cambridge y se dirigió a Irlanda. Allí residió en el interior de otra cabaña en Galway junto al mar. Durante un viaje a Norteamérica comenzó a tener problemas de salud y, al regresar a Inglaterra se le diagnosticó un cáncer de próstata, que se negó a tratarse.

Los dos últimos años de su vida los pasó con sus amigos de Oxford y Cambridge trabajando en cuestiones de filosofía hasta su muerte, que sucedió el 29 de abril de 1951 en Cambridge, en casa de su médico, el doctor Bevan, donde residía como huésped. Antes de perder la conciencia le susurró: "¡Dígale a los amigos que he tenido una vida maravillosa y que he sido feliz!".


El 'Evangelio Abreviado' de Tolstói le causó tanta impresión que lo llevó siempre consigo durante la contienda y en el cautiverio

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Canales ilegales dedicados al tarot y el esoterismo inundan la TDT


Un ejército de videntes y brujos ocupan la madrugada televisiva - Algunas cadenas infringen la ley doblemente: carecen de licencia y emiten en horario infantil


Rosário G. Gómez, Madrid
01/03/2011
Foto - Imágenes de varios programas sobre esoterismo y paraciencias de varios canales


Un ejército de videntes, echadores de cartas, chamanes y astrólogos se han hecho fuertes en la TDT – televisión digital terrestre.  La superstición y la brujería proliferan en todo tipo de televisiones: locales o nacionales, legales o piratas. Así, canales dedicados casi exclusivamente al esoterismo y las paraciencias, que se nutren de las consultas telefónicas de los espectadores, inundan la pantalla. En la Comunidad de Madrid, por ejemplo, se pueden captar a cualquier hora del día programas de estas características que incumplen la ley doblemente. No solo operan sin tener autorización administrativa, sino que difunden programas sobre tarot y videncia en horario de protección infantil.

Instalados, a veces impunemente, en el dial, estos formatos son un lucrativo negocio. Utilizan para las consultas del público números que comienzan por 806, líneas telefónicas que tienen tarifas especiales y están diseñadas para que la facturación de las llamadas se reparta entre la empresa y el proveedor de telecomunicaciones propietario de la línea. El coste es de 1,16 euros por minuto desde red fija y 1,51 euros si se utiliza el móvil.

La producción de estos programas, además, no requiere grandes infraestructuras. La mayoría se transmiten desde un estudio austero y a menudo destartalado, con decorado básico (una mesa y una silla). La realización se limita a un plano fijo. Desde allí atienden las consultas, recomiendan a los incautos interlocutores encender velas para alejar la energía negativa o colocar una maceta en la ventana para que el molesto inquilino abandone la casa. Hacen conjuros y sortilegios. Recetas que apelan a la superstición o la ignorancia, que juegan con las turbaciones de la gente.

La Ley General de la Comunicación Audiovisual , aprobada en 2010, prohíbe expresamente emitir "contenidos relacionados con el esoterismo y las paraciencias" entre las siete de la mañana y las diez de la noche. Y precisa que los operadores tendrán responsabilidad subsidiaria sobre los fraudes que se puedan producir a través de estos programas. Pero nadie se hace responsable.

El Ministerio de Industria, que se encarga de vigilar el cumplimiento de las normas, desvía el tema a los Ejecutivos regionales. Y viceversa. "Las comunidades tienen competencias en materia audiovisual. Otorgan las licencias y son ellas las que deben hacer el seguimiento de las emisiones", dice un portavoz ministerial.

Sin embargo, la Administración madrileña le devuelve la pelota al departamento que dirige Miguel Sebastián. "La comprobación técnica de emisiones es competencia exclusiva del Ministerio de Industria, Turismo y Comercio, que es el que dispone de los medios de radiogoniometría para localización y, en su caso, cuando proceda, erradicación de emisiones no autorizadas", afirma un portavoz de la comunidad, donde se pueden captar fácilmente media docena de este tipo de televisiones. Conviven con las 30 emisoras locales de TDT adjudicadas por el Gobierno de Esperanza Aguirre en 2005 y, aunque carecen de título habilitante, todos hacen oídos sordos.

Algunos de los canales que operan irregularmente lo hacen aprovechando una parte del ancho de banda que dejan libre los operadores legales. "Los cuatro canales que comparten un múltiple liberan espacio radioléctrico para cedérselo a uno de estos operadores", explican fuentes del sector. La ley audiovisual, sin embargo, no permite incluir en un múltiple (con capacidad para cuatro canales) más de los previstos. De hecho, Industria ordenó hace pocos meses a Telecinco la clausura de Cincoshop, un canal de televenta que aprovechaba el ancho de banda residual. El ministerio obligó a su cierre porque Telecinco ya tenía en antena cuatro ofertas distintas (la emisora convencional, FDF, La Siete y Boing).

También las televisiones con adjudicación en la mano se han apuntado a los contenidos de esoterismo y videncia, pero lo hacen dentro de los márgenes legales. Prácticamente todos los operadores generalistas de ámbito nacional tienen programas dedicados a consultas sobre el tarot, la lectura de las piedras, el magnetismo curativo, los amuletos o la limpieza del aura. A diferencia de los canales locales, reservan este tipo de programas a las franjas horarias que marca la ley. FDF (el canal de series de Telecinco) no abre el consultorio hasta la madrugada, al igual que Nova (el canal destinado al público femenino de Antena 3). Veo 7, la televisión que lidera El Mundo; Canal 10, impulsada por Abc, y La Sexta, también se han apuntado al tarot, la videncia, los poderes sobrenaturales o los rituales de brujería.


Supuestos videntes 'recetan' conjuros por un mínimo
de 1,16 euros el minuto

Industria y comunidades eluden responsabilidades



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Depressione: la causa è nelle
cellule iperattive

Un’iperattività cellulare può essere il fattore chiave nello sviluppo della depressione
01/03/2011

Non siamo solo noi, gli homo sapiens sapiens frenetici a essere in costante iperattività mentale. Alcuni ricercatori del US Department of Energy's (DOE) Brookhaven National Laboratory, della Cold Spring Harbor Laboratory e della University of California, San Diego School of Medicine hanno appena scoperto che anche le cellule possono diventare iperattive.
Eh sì, per star dietro al nostro ritmo di vita forse sono diventate iperattive anche loro.

Lo studio, riportato su Nature, spiega come mai l’iperattività cellulare può essere associata alla depressione. Inibendo una particolare zona cerebrale, denominata habenula laterale, attraverso degli elettrodi, è possibile invertire alcuni comportamenti depressivi.

«Questa ricerca individua un nuovo circuito anatomico del cervello che media la depressione, e mostra come essa interagisca con il sistema di ricompensa del cervello per far scattare un segnale costante di delusione - che indubbiamente è deprimente», spiega lo psichiatra e neurobiologo Fritz Henn.
«Tuttavia, l'individuazione di questo circuito e del suo funzionamento può aprire nuove porte per l'inversione di tali effetti», continua Henn.

«Ad esempio è possibile che i geni espressi in modo specifico questi neuroni possano essere mirati geneticamente o farmacologicamente per manipolare e ridurre la depressione», spiega il co-autore dottor Roberto Malinow, professore di neuroscienze presso la Scuola di Medicina dell’UCSD.

Secondo i ricercatori, le cellule presenti nell’habenula laterale sono attivate in seguito a eventi spiacevoli, incluse punizioni, tristezza, delusione ecc. È ovvio che stimoli negativi di questo genere possano portare alla depressione, tuttavia c’è da chiedersi perché non sempre questo accade. Per capire bene gli scienziati hanno voluto analizzare dettagliatamente i circuiti cerebrali.

Controllando a fondo le cellule dell’habenula hanno scoperto che queste sono in stato di iperattività solo nei soggetti depressi. Più erano depressi i soggetti (animali) più le cellule erano attive.
«L'attivazione dell’habenula laterale è conosciuto per influenzare il rilascio di serotonina e norepinepherine, due bersagli di farmaci antidepressivi», spiega Henn.
«Il presente studio ha esaminato il ruolo del habenula laterale in termini di sistema della dopamina, il sistema coinvolto nella ricerca della ricompensa. Abbiamo scoperto che l'iperattività nel habenula laterale causata dallo stress-indotto spegne il sistema di ricompensa del cervello».

Stimolando attraverso degli apposite elettrodi l’habenula laterale viene diminuita l’attività eccitatoria.
«I nostri risultati mostrano chiaramente che la soppressione della trasmissione sinaptica alla habenula laterale attraverso la stimolazione cerebrale profonda può acutamente invertire il comportamento inerme dei topi. È molto probabile che questo effetto benefico sia stato mediato da una soppressione delle cellule nervose eccitatorie che porta al sistema di ricompensa del cervello, come abbiamo osservato negli studi cellulari», prosegue Henn.

«Il nostro studio fornisce un meccanismo cellulare che può spiegare l'iperattività delle cellule nervose del habenula laterale osservata negli esseri umani depressi e in modelli animali depressi, così inducendo il 'silenzio' di questi circuiti, sia farmacologicamente che chirurgicamente, si possono ridurre i sintomi della depressione, come negli animali», conclude Henn.

Questa scoperta apre senz’altro la strada a nuovi trattamenti, ancora più specifici e mirati, per il trattamento della depressione. Sperando che tali trattamenti possano essere più duraturi e meno tossici di alcuni tradizionali farmaci antidepressivi.
[lm&sdp]

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SUÉCIA

O paraíso dos holandeses

Petra Sjouwerman, Amsterdam
01.03.2011

Todos os dias, 305 holandeses partem para ir viver no estrangeiro. A Suécia inclui-se entre os destinos favoritos, onde encontram calma e uma vida próxima da natureza. 


Em 2007, Ellen Mulderij, originária da Frísia, emigrou para a Suécia com a família. "Na Holanda, toda a gente tem pressa. Voltei lá recentemente e disse para comigo: 'Será que estas pessoas alguma vez têm algum tempo para viver?'", diz, na sua casa em Hjulsjö, uma aldeia sueca quase deserta. Rudy, o seu marido holandês, trabalha na silvicultura; os três filhos andam na escola. Reina uma grande calma, nesta região arborizada. A maior parte dos que ali nasceram partiu há muito, em busca de trabalho.

Na Suécia, vivem cerca de 8300 emigrantes holandeses – sem contar aqueles que ali residem provisoriamente – e esse número tende a aumentar. Desde o ano 2000, um milhar de holandeses vieram instalar-se na sua nova pátria escandinava.

"O número de holandeses que veem para a Suécia aumentou claramente depois do 11 de setembro de 2001", afirma Rob Floris, da agência para o emprego de Kalmar. "Os problemas relacionados com Pim Fortuyn [político populista assassinado em 2002], depois com Theo van Gogh [animador de televisão e cineasta assassinado em 2004] e, agora, com Geert Wilders [político populista islamófobo] contribuíram para isso. Sempre que Wilders é tema de notícia, recebo pedidos de holandeses que querem emigrar."

Floris é conselheiro da EURES, a rede de cooperação da UE que favorece a mobilidade de emprego entre os Estados-membros. Segundo ele, muitos holandeses são atraídos pela estabilidade política existente na Suécia. "Eu digo-lhes que é preciso tirar os óculos cor-de-rosa", sublinha, numa alusão ao assassinato da ministra Anna Lindh, em 2003.

Uma economia sólida
Ainda assim, a Suécia é onze vezes maior do que a Holanda e tem apenas 9,2 milhões de habitantes [a Holanda tem 16 milhões], dos quais três milhões vivem em Estocolmo e arredores. "O stresse é mínimo e, fora de Estocolmo, não há engarrafamentos, a criminalidade é mais baixa do que na Holanda e as pessoas respeitam-se umas às outras", acrescenta Floris.

Os holandeses são atraídos sobretudo pela calma, pelo espaço e pela natureza. Nas entrevistas com os holandeses que vivem na Suécia, essas palavras são recorrentes. Além disso, a vida na Suécia é mais barata do que na Holanda. "Por 100 mil euros, arranja-se uma grande moradia com um hectare de terreno", reconhece Floris. Os encargos mensais, os seguros de habitação e automóveis e os combustíveis são mais baratos. Não é preciso fazer seguros de saúde, porque os residentes na Suécia estão automaticamente seguros através dos impostos.

Por outro lado, como salientou recentemente o secretário-geral da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), a economia sueca é "tão sólida como a Fifi Brindacier" [Pipi das Meias Altas]. O país saiu incólume da crise financeira e tem centenas de vagas de emprego no setor das tecnologias da informação e comunicação e no setor da saúde. "Os holandeses vêm com toda a família, aprendem rapidamente a língua e têm um espírito positivo em relação ao trabalho. Também são empreendedores. A mentalidade da Companhia Holandesa das Índias Orientais está nos seus genes", observa Floris.

"A Suécia é o país que lhe convém"
Ellen Mulderij também tem esse espírito empresarial. Deu alguma vida à aldeia de Hjulsjö, onde não vivem mais de 50 pessoas, com a sua loja de produtos biológicos, que funciona igualmente como café. A casa da família ainda está praticamente em ruínas. "Nada funciona. Está de facto num estado lamentável." Mas também já meteu mãos à obra. "É uma tarefa difícil", reconhece Ellen Mulderij, que recebeu subsídios da UE para instalar a loja e criar carneiros.

A maior parte dos holandeses instala-se nas províncias de Värmland e de Dalarna [no sul da Suécia], magníficas regiões acidentadas e arborizadas descobertas durante as férias. "Mas, no campo, não há muitos empregos", adverte Floris. "Muitas pessoas querem abrir casas de hóspedes mas estas só funcionam oito semanas por ano, o que não basta para ganhar a vida."

Segundo Rob Floris, as pessoas precisam de pensar muito bem antes de decidirem emigrar. "Antes de partirem, as pessoas não devem contentar-se em ter vindo à Suécia no verão. É preciso vir noutras estações. Irá gostar tanto do país, quando é de noite às três horas da tarde, no inverno, e quando é preciso abrir caminho porque caiu um metro de neve durante a noite? Se assim for, então a Suécia é realmente o país que lhe convém."

Presseurop

LIBRO

Sin alternativa
Joaquin Estefania
01/03/2011

Los historiadores distinguen entre crisis mayores y menores. Las crisis mayores del capitalismo han sido, además de las dos guerras mundiales, la Gran Depresión de los años treinta del siglo pasado y la actual Gran Recesión. Entre una y otra hay muchas analogías, pero también extraordinarias diferencias: hoy, al contrario que entonces, no existe alternativa al capitalismo imperante. No hay comunismos ni fascismos que compitan por la primera plaza del sustrato económico de la modernidad. En la actualidad de lo que se habla, como mucho, es de embridar el capitalismo, reformarlo, regularlo o refundarlo, pero no de sustituirlo.

En 1933, Keynes hizo unas declaraciones muy notorias: "El decadente capitalismo internacional, individualista, en cuyas manos nos encontramos después de la guerra [se refiere a la I Guerra Mundial] no es inteligente, no es bello, no es justo, no es virtuoso y no satisface las necesidades. En resumen, nos desagrada y comenzamos a despreciarlo. Pero cuando buscamos con qué reemplazarlo, nos miramos extremadamente confusos".


Setenta y ocho años después de esas palabras, nos sentimos con idénticas incógnitas. El sociólogo Salvador Giner se sorprende, lógicamente, ante el hecho de una ausencia casi absoluta de consideraciones sobre el destino final del orden capitalista, sobre su porvenir (si lo tiene), así como del mundo que ha de surgir tras la crisis que, por el momento, se caracteriza, entre otros aspectos, por una prosperidad amenazada, paro desbordado, acoso al bienestar público, la miseria propia o ajena, los conflictos bélicos estrechamente vinculados a causas económicas, los daños morales o anímicos de un trabajo o un mercado ligados al orden o al desorden capitalista, el agotamiento del medio ambiente y, sobre todo, las ilusiones perdidas.

Para Giner, la utopía factible de nuestra época es una sociedad decente alejada de las trampas de la utopía. Pero ella no podrá lograrse sin que la preceda una reflexión sobre el capitalismo. Esa sociedad decente tiene el sustrato de una austeridad compartida, igualitaria, que permita la existencia de las diferencias culturales y personales y el respeto y la recompensa al mérito, pero que no sea compatible con las inmensas desproporciones en la riqueza que ha fomentado hasta hoy el capitalismo. Lo que hace que un país sea de veras un país avanzado es la existencia de un Estado del Bienestar eficiente. La austeridad igualitaria como principio moral de convivencia no avala los peligrosos recortes del welfare y a las políticas redistributivas necesarias para capacitar a la ciudadanía a ejercer sus derechos y cumplir sus deberes, sino que exige la eliminación de la opulencia innecesaria e insolente, y el despilfarro.

Cualquier análisis del futuro del capitalismo exige la presencia de reflexiones como las de Marx y Schumpeter. En ellas se anuda Giner para hacer las suyas propias.

El futuro del capitalismo
Salvador Giner
Ediciones Península. Barcelona, 2010
162 páginas. 15,90 euros
http://www.elpais.com/