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REINO UNIDO

Uma revolta silenciosa contra
a “Big Society”

Através da sua política de bandeira, David Cameron quer substituir o governo “grande” por iniciativas das comunidades locais, mas apercebe-se agora de que, quando se corta nos gastos do Estado, corta-se também nas raízes da sociedade civil.


Emma Jacobs, Jim Pickard, George Parker
20.02.2011
Nove meses depois de formar Governo, os 81 mil milhões de libras (96,7 mil milhões de euros) de cortes começam a fazer-se sentir. A feroz experiência fiscal – uma contenção nas despesas a uma escala nunca vista em qualquer outra grande economia – foi saudada por oportunistas em todo o mundo, desde o Fundo Monetário Internacional até à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.

Mas no The Bell, um pub na terra Natal de Cameron, a raiva dos gentis começa a fervilhar. Qual o motivo? A ameaça de fechar a biblioteca pública de Charlbury, alojada numa propriedade de duas frentes construída em pedra amarela de Cotswold, típica das cidades e aldeias de Witney, a circunscrição do primeiro-ministro.

Rosalind Scott, de 69 anos, uma antiga assistente social, de óculos, com um casaco de lã cor de vinho, é uma adversária tão poderosa da agenda de austeridade de Cameron como os alunos que, no ano passado, causaram grandes estragos no centro de Londres em protesto contra os cortes no financiamento das universidades.
"A biblioteca é essencial para a nossa comunidade", afirma. "O problema de se perder uma biblioteca é perder-se um lugar onde as pessoas se encontram." A 12 de fevereiro, Scott organizou um protesto com a participação de 200 pessoas. Tais eventos estão a ser organizados em todo o país à medida que Cameron prossegue com o Plano A – diz não haver um plano B – para reduzir em quatro anos o défice estrutural para os 4,8% do rendimento nacional.

Os "pequenos pelotões" de Edmund Burke
Os protestos no centro comercial de Charlbury são ameaçadores para Cameron, e não apenas porque marcam o início do que poderá vir a tornar-se um protesto generalizado contra os cortes na Inglaterra central, berço do partido conservador. São também um desafio direto ao antídoto do primeiro-ministro para um Estado que diminui a sua grande e louvada ideia: a “Big Society”.

Durante vários anos, o primeiro-ministro tentou convencer o país a compartilhar a sua paixão por uma Grã-Bretanha baseada nos "pequenos pelotões" de Edmund Burke. Na sua visão, grupos de voluntários, líderes comunitários ao estilo de Obama, empreendimentos sociais e instituições beneficentes irão substituir o Estado que se retrai, passando a ter maior controlo sobre os serviços, desde as bibliotecas às florestas ou aos sanitários públicos.

No entanto, Cameron sabe que a ideia não tem seduzido a imaginação do público. Tentou fazer da “Big Society” o tema central da campanha eleitoral do ano passado, mas a ideia foi discretamente abandonada quando as sondagens mostraram que os eleitores estavam claramente pouco impressionados.

Até alguns dos deputados conservadores perdem a esperança no conceito. "A ‘Big Society’ só está a gerar muito cinismo – o público encara-a como uma cobertura para os cortes", lamenta um deles. "Estamos a tentar dar-lhe vida, mas o doente não está a reagir." O ceticismo atinge o coração do Governo. Os funcionários públicos apelidam o conceito como "BS" [diminutivo de “Bullshit” (treta)].

"Considero a ideia da ‘Big Society’ insultuosa", diz Barbara Allison, uma diretora financeira aposentada, acrescentando que existem 54 organizações locais em Charlbury, que já estão a trabalhar para a comunidade, por exemplo, a fornecer refeições aos sem-abrigo. "Nós já estamos a dedicar uma grande parte do nosso tempo à caridade e ao voluntariado. Eu ajudo na gestão do museu de Charlbury. Não é suficiente? David Cameron vai ser voluntário?"

Inquietação pública aumenta Com os rendimentos familiares a enfrentarem a maior redução efetiva desde os anos 1920, é de acreditar que os britânicos estão mais preocupados em fazer face às despesas do que em gastar o seu tempo livre a preencher as lacunas deixadas pelos cortes nas despesas públicas.

A fé de Cameron na “Big Society” enfrenta o seu maior teste nos próximos meses, à medida que o programa de cortes começa a ser executado. O confronto com os estudantes no final de 2010, acerca da eventual triplicação das propinas, foi apenas o início, a segunda onda virá quando as autarquias começarem a encerrar serviços de que muitos dependem.

A câmara de Liverpool retirou-se de uma experiência piloto, alegando não poder fazê-la funcionar quando, simultaneamente, tem que aceitar cortes de 100 milhões de libras (119,4 milhões de euros) nos subsídios às organizações locais. Diretores de instituições de beneficência, líderes comunitários e dirigentes sindicais dispuseram-se a comunicar ao primeiro-ministro que os cortes impostos pelo governo à autarquia poderiam matar à nascença a “Big Society”.

A inquietação pública tem vindo a aumentar à medida que os cortes são conhecidos. Na semana passada, a assembleia municipal de Manchester decidiu fechar todos os sanitários públicos, exceto um – parte de um movimento no qual mil sanitários públicos fecharão as portas em todo o território, de acordo com a, até então pouco conhecida, British Toilet Association. A cidade vai ainda fechar três centros de lazer, duas piscinas e cinco bibliotecas. O funcionamento dos centros de juventude passará a estar a cargo de "parceiros externos", podendo, subsequentemente, fechar.

"Big Society" só com o apoio do Estado
Confrontado com o argumento de que a “Big Society” não pode florescer sem o apoio efetivo do setor público (os municípios poderão perder 27% da sua principal dotação orçamental em quatro anos), Cameron terá mais uma oportunidade para relançar a sua ideia na próxima semana. Precisa de um "discurso" que prove que seu Governo tem um lado carinhoso. Vai insistir que a “Big Society” se adapta aos instintos britânicos e que a autoajuda e a filantropia estão em consonância com o pensamento conservador tradicional. Vai ser difícil vender a ideia.

Por agora, Cameron está de pé atrás, nomeadamente no que respeita ao plano de alienação das florestas públicas. Uma proposta para entregar algumas áreas de floresta às comunidades, juntamente com uma maior privatização, não conseguiu tranquilizar um conjunto de bispos, atores, deputados e uma parte da Inglaterra central, que se opõem à venda.

Liz Searle, uma chefe de escritório aposentada, personifica a visão de Cameron da “Big Society” em ação nas clareiras frondosas da Grã-Bretanha: ela é secretária e membro da associação dos Amigos do Bosque de Chopwell, um grupo de voluntários que gere 360 hectares de floresta perto de Gateshead, no nordeste da Inglaterra.

Apesar de se falar de um recuo do Governo, ela espera que mil pessoas se manifestem, no domingo, contra a venda de florestas. Num argumento ensaiado por todo o país, vão alegar que a “Big Society” só poderá funcionar se o Estado estiver ao seu lado. "Para fazer as coisas de que precisamos, temos que ter funcionários a tempo inteiro. Precisamos da ajuda da Comissão das Florestas [do Estado]", afirma. "Vamos manter a pressão."

FINANCIAL TIMES LONDRES
www.presseurop.eu/pt/
Reino Unido actualiza los mapas
de delincuencia en las calles británicas
01/02/2011

La Policía ha publicado nuevos mapas en internet (foto) que documentan la delincuencia en las calles del Reino Unido y permite a los ciudadanos ver qué delitos se han cometido últimamente en el vecindario.
La ministra del Interior, Theresa May, explicó para justificar la publicación que la gente ha perdido la confianza en las estadísticas nacionales sobre delincuencia y dijo que los mapas resultarán más fiables y exactos y harán a la policía local más responsable.

Un portavoz de la ONG Victim Support, citado por la BBC, señaló por su parte la importancia de que se respete al mismo tiempo la privacidad de las víctimas de esos delitos.

La ministra May expresó su confianza en que la respuesta de los ciudadanos será "positiva" y negó que la publicación de ese tipo de informaciones vaya a generar miedo o hundir los precios de las casas en determinadas zonas.

Los visitantes del portal de internet podrán conocer qué delitos se han registrado en su calle o en el vecindario durante el mes anterior y qué policías son responsables de la zona en cuestión.

Los delitos se clasifican en robos, asaltos, delitos contra vehículos, actos de violencia, gamberrismo y otros, en los que se incluyen también los de tipo sexual.

Seguimiento judicial
En un futuro podrán incluirse en ese portal detalles relativos a los procesos judiciales e incluso se establecerá un sistema que permita a las víctimas de determinados delitos seguir en internet el progreso de sus casos.

"Creo que la gente va a agradecer la posibilidad de seguir lo que ocurre en materia de criminalidad no sólo en su calle sino en todo el vecindario, lo que hará que se identifique mejor con la policía", dijo la ministra del Interior para justificar ese ejercicio de transparencia.

Las calles con menos de doce casas se incluirán en un área geográfica mayor para impedir la identificación de las víctimas, explicaron fuentes de ese ministerio

http://www.elmondo.es/

Reino Unido

Strippers britânicos nervosos

A “indústria” do striptease no Reino Unido espera perder 15 mil postos de trabalho se os planos para alterar a lei das licenças forem concretizados.

Um novo projecto de lei, que poderá ser aprovado pelo parlamento britânico nos próximos meses, prevê que a classificação dos clubes de striptease seja a de “estabelecimentos de encontros sexuais”, fazendo com que suba consideravelmente o preço de uma licença para gerir aqueles estabelecimentos.

Hoje, a licença para abrir uma casa de striptease custa tanto como abrir um restaurante ou bar.

Os donos das salas de “strip” estão neste momento a intensificar os seus apelos para impedir mudanças na legislação que, caso venha mesmo a concretizar-se, irá afectar aquele sector e pode levar a muitos despedimentos. Consideram que os (as) bailarinos não devem ser postos na mesma categoria de “trabalhadores sexuais”.

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O que podemos aprender com as biografias de strippers

por Luís Leal Miranda
22.06.2009

Depois de Diablo Cody, ex-stripper, ter ganho um Oscar para melhor argumento, as expectativas à volta das capacidades literárias das profissionais do varão aumentaram. A revista "Slate" leu algumas biografias de strippers e encontrou muitos pontos em comum

A nossa heroína é sempre a última pessoa que imaginávamos no palco de um bar de strip. Educada, sensível e boa mãe de família.

- Da primeira vez que se despiu, foi a coisa mais natural do mundo

- A protagonista é diferente de todas as outras strippers: flácidas, drogadas, mais velhas.

- Às tantas percebemos que a stripper é uma antropóloga disfarçada, tal a intensidade da prosa.

- A nossa heroína tem limites, ao contrário das colegas. Há muita coisa que ela se recusa a fazer graças ao seu código de honra.

- Ao longo do livro vão haver muitos parágrafos dedicados à descrição de manicure, pedicure, roupa de stripper e maquilhagem.

- A autora faz questão de sublinhar que o que nos está a contar é segredo. Ao lermos o seu livro, estamos pela primeira vez a entrar num mundo onde nunca ninguém entrou.
www.ionline.pt/

A sociedade grande: remédio tory para a 'broken Britain'

por Gonçalo Venâncio
21.07.2010

Pôr vizinhos a eleger o comandante da esquadra e pais a gerir escolas. É a 'big society' de David Cameron

Num provocador livro de 1995, o cientista político Robert Putnam mostrou como os baixíssimos níveis de capital social na sociedade americana - resultantes da quebra da participação associativa e cívica - eram espelhados nas pistas de bowling.

Argumentava Putnam que cada vez mais e mais americanos optavam por derrubar os pinos sozinhos, o que fazia com que o convívio das ligas de jogadores fosse perdido. Com ele também desapareciam os prazeres da socialização e, em última análise, a vitalidade da democracia americana.

Recentemente, um relatório assinado pelo ministro britânico do Trabalho e Pensões, Ian Duncan Smith, mostra que o Reino Unido tem "problemas severos" relacionados com os baixos níveis de capital social.

Apenas dois em cada cinco cidadãos acreditam que podem fazer a diferença nas decisões que os afectam. Mais, só um terço dos britânicos acredita que pode confiar nos outros.

Estes indícios de ruptura social atormentaram o primeiro-ministro britânico David Cameron. A resposta aí está, com o governo de coligação liberal/conservador a lançar esta semana o projecto de fundação de uma nova sociedade, nos antípodas daquela que dependia do "governo grande".

Uma sociedade baseada na "responsabilidade" e no "respeito", onde cada um tem mais controlo sobre o seu destino e sobre o destino de todos. É a 'big society', a grande sociedade. "É a maior e mais dramática redistribuição de poder das elites de Whitehall para as pessoas", disse Cameron num discurso sobre aquela que é a sua "paixão política".

Mas, por trás do conceito, o que é afinal a 'big society'? Um projecto reformador da presença do Estado na sociedade e um libertador das forças do empreendedorismo.

Um projecto político que encoraja os pais a lançar projectos educativos se não se revirem nos que são oferecidos pelo poder central. Que dá aos moradores de um bairro a possibilidade de eleger directamente o comandante da polícia ou o médico chefe do centro de saúde. Que incentiva os vizinhos a organizar o estacionamento, a gerir bibliotecas, museus, postos de correio e até a definir os orçamentos municipais.

Transparência e descentralização são dois dos três pilares da big society - dinheiro, é o terceiro. "Pagaremos aos fornecedores de serviços públicos", disse Cameron, sofrendo de imediato críticas da esquerda, atemorizada com a privatização encapotada de alguns serviços na era da austeridade.

A sociedade civil portuguesa estaria predisposta a abraçar o desafio da big society? "Não creio", diz Manuel Forjaz. Para o director do Instituto de Empreendedorismo Social há uma dicotomia entre os países do norte e do sul da Europa relativamente ao papel do indivíduo.

"No sul há uma concepção absolutista do Estado. Tem de ser um fornecedor de serviços e também um solucionador de problemas em todas as áreas de influência do cidadão".

Mas, na opinião de Forjaz, o problema é mais vasto. "Não há, em Portugal, uma cultura de associativismo. Não há cultura de horário; não há cultura de divisão de recursos; e não há uma cultura de socialização". Também os portugueses andam a jogar bowling sozinhos.
http://www.ionline.pt/